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Apae Brasil promove curso de capacitação para formação de professores do TEAtivo, em Natal

Na Região Nordeste, o programa está na segunda fase, que contará com 640 beneficiários nas modalidades de atletismo, capoeira, futsal e natação

Felipe Menezes

18/05/2026

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A Federação Nacional das Apaes (Fenapaes) promoveu, entre os dias 13 e 15 de maio, o Curso de Capacitação para Formação dos Professores do TEAtivo Nordeste II, na cidade de Natal (RN). O projeto é realizado pela Fenapaes, em parceria com o Ministério do Esporte (MEsp), por meio da Secretaria Nacional de Paradesporto (SNPAR), e conta com o apoio do Itaú, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte (LIE).


Participaram do evento membros da diretoria executiva da Fenapaes, a exemplo do presidente Jarbas Feldner de Barros; do vice-presidente Léo Loureiro; do 1º diretor-secretário, Vanderson Gaburo; e do 1º diretor Financeiro, Narciso Batista; além de autoridades e presidentes das Federações das Apaes dos Estados (Feapaes) e das Apaes que realizarão o programa na região; o coordenador nacional de Educação Física, Desporto e Lazer, Roberto Soares; e membros da equipe técnica da Faculdade Apae Brasil – Dr. Eduardo Barbosa.


Estiveram presentes ainda representantes do MEsp, tais como Fabio Araujo, secretário nacional de Paradesporto; Carolinne Carvalho, diretora de Programas e Políticas de Incentivo ao Esporte; Michelle Vinecky, diretora de Parcerias Paradesportivas; Vânia Tie Ferreira, coordenadora-geral de Programas e Projetos Paradesportivos; Rodrigo Abreu, coordenador-geral de Planejamento e Monitoramento da Política Pública Paradesportiva; e Breno Alves, chefe de gabinete da SNPAR.


O encontro teve por objetivo qualificar os 40 professores e os 10 coordenadores de Esporte que atuarão com crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA) participantes do programa, utilizando o esporte como ferramenta essencial para o desenvolvimento e a inclusão. Na programação, palestras e atividades ministradas por especialistas das áreas envolvidas, com temas como funcionamento do programa, aplicação da escala de avaliação do TEA e avaliação física dos atendidos, planejamento das aulas e resolução de dúvidas sobre prática pedagógica.


A segunda fase do TEAtivo no Nordeste contemplará 640 pessoas com autismo e suas famílias, localizadas em Natal, São Luís (MA), Teresina (PI), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Recife (PE), Maceió (AL), Aracaju (SE), Salvador (BA) e Imperatriz (MA). O público-alvo tem de 6 a 18 anos.


Coordenado pela Apae executora, cada núcleo do projeto ofertará atividades físicas e esportivas adaptadas, nas modalidades de atletismo, capoeira, futsal e natação, promovendo a integração social e a melhoria da qualidade de vida dos beneficiários. Todos os núcleos contam com uma equipe de profissionais especializados para atender individualmente ou em pequenos grupos, conforme as necessidades específicas dos alunos.


Ferramenta de transformação


Durante seu discurso, o presidente da Fenapaes destacou a importância do esporte na vida das pessoas com deficiência, sendo uma peça-chave no processo de inclusão e promoção do bem-estar cognitivo, emocional e físico. Ainda segundo o prof. Jarbas, a prática esportiva “vale mais do que terapia”, contribuindo para a socialização e a superação, por exemplo.


“A gente tem avançado demais. O TEAtivo chegou em um momento fantástico para todos nós, dando essa oportunidade”, afirmou Jarbas, salientando aos profissionais a responsabilidade que terão no projeto. “Muito mais do que uma atividade esportiva e prática de atividade física, vocês estão lidando com vidas, com pessoas que têm sonhos, projetos, desejos, vontades. É para eles e por eles que nós existimos e fazemos. O mais importante não é o que eu sei. O mais importante é utilizar aquilo que eu sei naquilo de que ele precisa. Essa é a inversão que nós temos que fazer. Essa é a capacitação também que nós estamos fazendo”, acrescentou.


Na ocasião, o líder apaeano aproveitou para agradecer ao ex-ministro André Fufuca e ao Itaú, classificando-os como grandes apoiadores, e defendeu a relevância da destinação de recursos para a execução e a ampliação de iniciativas pioneiras, como o TEAtivo, que têm possibilitado inclusão, cidadania e oportunidades, bem como a formação de novas parcerias.


“O TEAtivo abriu portas para que, por meio do Ministério do Esporte, pudéssemos fechar com o Ministério da Saúde. E hoje a atividade física e esportiva está dentro da saúde do CER (Centro Especializado em Reabilitação). Todo CER tem que implantar esse programa. É uma parceria pela qual fico muito grato. É uma conquista do trabalho da nossa diretoria executiva e de parceiros como você, Fabio, o ministro Fufuca e os ministros do governo Lula. O governo Lula é nosso parceiro, nos ajudou. Sou grato e reconhecido por isso, porque eles reconhecem o movimento apaeano e o fato de que nós fazemos política pública”, pontuou.


Já Léo Loureiro disse que o TEAtivo mudou paradigmas e que o Ministério do Esporte conseguiu mostrar o papel do esporte na vida das pessoas com deficiência, que, consequentemente, têm evidenciado à sociedade a capacidade de superar barreiras.


Diante dos resultados alcançados, o programa foi apresentado em evento paralelo promovido pelo MEsp na 18ª Conferência dos Estados Partes da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (COSP18), realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), como exemplo de política pública inovadora que proporciona o desenvolvimento integral, a obtenção de uma vida com qualidade, a autonomia, a independência, a cidadania e o protagonismo das pessoas com TEA por meio do esporte.


“É um projeto que quebra barreiras e constrói pontes. Essa é a grande importância para a gente: mudar histórias. E isso é o que o TEAtivo faz”, enfatizou o vice-presidente, que abordou os frutos que projetos esportivos como o TEAtivo possibilitam às pessoas com deficiência e suas famílias, permitindo sua incorporação a áreas como saúde e educação para a criação de políticas públicas. “Nós, da Apae Brasil e do Ministério do Esporte, com o TEAtivo, transformamos vidas, damos voz e vez a muitos que nunca poderiam estar com essa voz, com essa vez e com esse trabalho de dignidade.”


Expansão e resultados efetivos


Ao relembrar o início da parceria entre Apae Brasil e Ministério do Esporte, Fabio Araujo afirmou que as duas instituições têm trabalhado fortemente para a expansão do TEAtivo. De acordo com o secretário, o ministro Paulo Henrique tem como prioridade, em sua gestão à frente da pasta, que o projeto seja uma realidade em todas as capitais até o fim deste ano.


“E a Apae Brasil é o parceiro, o principal contato”, garantiu Araujo, complementando que a união entre os ministérios do Esporte, da Saúde e da Educação está fortalecendo o esporte para as pessoas com deficiência em todo o país. “Nós não queremos formar atletas. Queremos facilitar o acesso desse público à prática esportiva.”


Já Michelle Vinecky ressaltou a dimensão do TEAtivo na vida de crianças e adolescentes e suas famílias, tendo em vista o crescimento do número de diagnósticos de autismo. Dessa forma, o curso, pontua a diretora de Parcerias Paradesportivas do MEsp, é uma etapa vital do projeto.


“A capacitação é para que os professores saibam atender a esse público beneficiário da melhor forma possível. Espero que todo mundo aproveite bastante esse momento, que é enriquecedor, de muito conhecimento e de troca de experiências”, salientou.


Para Vânia Tie, o curso permitirá que os profissionais do projeto possam aplicar o aprendizado adquirido de forma ainda mais eficaz, incluindo aqueles que estiveram presentes na primeira edição do curso, em Salvador (BA), em janeiro de 2025.


“Está sendo um momento também de tirar dúvidas sobre o que eles aprenderam lá atrás e sobre as dificuldades que tiveram nesse processo e, agora, estão podendo, aqui, em um momento muito rico de reciclagem, entender como fazer esse atendimento à pessoa com autismo. É um momento de muita troca, muita aprendizagem, que a gente espera que eles levem para os seus territórios e façam o melhor atendimento possível do programa TEAtivo”, corroborou.


Transformação social


Psicóloga, neuropsicóloga clínica e especialista em TEA, Fabiana Lisboa foi uma das palestrantes do curso de formação. Para Fabiana, o encontro serviu para unir teoria e prática, visando formar os profissionais para terem uma compreensão mais abrangente sobre o transtorno do espectro autista, utilizando o esporte como peça-chave e, assim, oportunizar desenvolvimento global e inclusão social.


“Essas pessoas estão se capacitando para além da teoria, para que possam chegar aos seus locais de trabalho e pensar em atividades adaptadas, a fim de que essas habilidades possam surgir da melhor maneira possível para esses meninos, essas meninas e esses jovens. Ou seja, para que possam adquirir habilidades que vão para além de um tônus e de um melhor equilíbrio, mas que vai impactar em melhor funcionamento e qualidade de vida”, explicou.


A especialista destacou ainda que, mais do que um esporte, o TEAtivo é um programa que visa dar possibilidades e que permite à sociedade ampliar o seu olhar para as pessoas com autismo. De acordo com Fabiana, o propósito do TEAtivo não é formar grandes esportistas, mas trabalhar habilidades básicas essenciais para que os beneficiários obtenham autonomia, independência e cidadania.


“É isso que a Apae Brasil vem fazendo há muitos anos: transformar vidas. E, em parceria com o Ministério do Esporte, estamos fazendo isso. A nossa meta é ampliar esse projeto para que atinja outras regiões e a gente consiga, de fato, melhorar a qualidade de vida de famílias e pessoas no espectro autista”, disse.

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